Entrevista do Bobby para a ARENA HOMME – Janeiro 2015

23 de dezembro 2014 Entrevistas Por Calane

Entrevistador: Seu apelido se tornou “Kim hackeado”, já que a maioria da sua infância foi hackeada*
Bobby: Oh, como você sabia? (risos)

(n/t: *hackeado, neste caso, não significa literalmente ser vítima de hackers, mas faz referência ao fato de que os fãs descobriram e espalharam bastante informações sobre o Bobby)

 

Entrevistador: Por quanto tempo você viveu nos Estados Unidos?
Bobby: Minha família e eu imigramos para os EUA quando eu estava na quarta série. Eu vim para a Coreia sozinho após completar o ensino fundamental.

 

Entrevistador: Como você surgiu com o nome “Bobby”?
Bobby: Eu realmente gosto do Bob Marley. E também, não haviam muitas crianças de minha idade nos EUA com o nome Bob.

 

Entrevistador:  É um nome antigo/fora de moda.
Bobby: É meio que o equivalente em inglês para “Chulsoo”?! Acho que há uma raridade nele (n/t: Chulsoo é um nome bem antigo e já fora de moda na Coreia).

 

Entrevistador: Você se tornou um trainee da YG porque queria fazer hip-hop?
Bobby: Eu originalmente só tinha uma vaga noção de que queria fazer música, não necessariamente hip-hop ou rap. Naquela época, eu não sabia o suficiente sobre o gênero hip-hop, não tinha um senso profissional. Eu gradualmente acabei escrevendo letras, combinando rimas, “cuspindo” alguns raps e gravando, ouvindo minha própria voz. Aquilo meio que se tornou diversão.

 

Entrevistador: Você já considerou fazer atividades comunitárias ou fazer um mixtape?
Bobby: Por volta do meu segundo ano na middle school (n/t: o equivalente à sexta série/sétimo ano), eu escrevia letras e gravava músicas com um hyung que era próximo de mim nos EUA. Era algo que nós realmente só fazíamos entre nós.  Era algo que fazíamos sozinhos, como um hobby, apenas por diversão (risos).  Até aquele ponto eu não tinha um sonho. Foi por acaso que eu acabei em uma audição da YG nos EUA, passei e me tornei um trainee, mas até então eu não conseguia imaginar que me tornaria um rapper.

 

Entrevistador: Não deve ter sido fácil deixar sua família nos Estados Unidos para vir à Coreia sem nenhuma garantia de sequer debutar.
Bobby: Fazer rap era mais divertido do que estudar para mim. Até agora, eu faço porque é muito divertido.

 

Entrevistador: Você só teve consciência do cenário hip-hop depois de se tornar um trainee?
Bobby: Depois de vir para a companhia eu comecei a ver o quão legal era ouvir um monte de músicas e trocar algumas delas com B.I. Ele me ensinou muito sobre os encantos do hip-hop. Acontece que hip-hop é realmente uma coisa incrível.

 

Entrevistador: O que sobre ele, especificamente?
Bobby: Bom, em primeiro, tem um charme masculino. Hum… somente crueza, algo bruto. Não há embelezamento nele.

 

Entrevistador: É legal porque é honesto, sem fingimentos ou esforços?
Bobby: É isso, é isso. É do que gosto sobre o hip-hop: há uma aura nele, mesmo que ele esteja lá sem fazer nada.  Eu continuo me aproximando mais dele por isso. Hip-hop não é apenas música,  ele tem uma cultura. Como quando você está simplesmente saindo com seus amigos e cumprimentam  uns aos outros, isso é hip-hop. Por exemplo, acordar de manhã e ir para a escola sem tomar banho, isso é hip-hop também … É apenas algo bruto.

 

Entrevistador: Eu sei o que você está dizendo, a mentalidade é importante. Mas quando eu falo com você, você não parece ser um garoto com uma tendência de competição.
Bobby: Eu acho que eu mudei um pouco depois de vir para a Coréia. Quando eu estava nos Estados Unidos, eu estava com os meus pais, mas eu tive que passar a minha adolescência aqui sozinho e percebi que eu preciso cuidar de mim mesmo. Eu também mudei muito através do “Show Me The Money 3”.

 

Entrevistador: É um programa que realmente acende seu espírito de luta, certo? (risos)
Bobby: Isso realmente me fez querer proteger eu mesmo… O mais importante era garantir que outras pessoas não me olhassem com desprezo. É um pensamento infantil, mas era assim que eu me sentia.

 

Entrevistador: Mesmo depois que você já tinha experimentado o show de sobrevivência ‘WIN’?
Bobby: Eu estava com meus amigos, mas no ‘Show Me The Money 3’ era diferente.

 

Entrevistador: Foi provavelmente por isso que você teve que lutar por si mesmo. Que processos você teve que percorrer para criar o seu tom único (no sentido de originalidade) ou a sua personalidade como rapper Bobby?
Bobby: Eu originalmente apenas tentei copiar um monte de rappers estrangeiros. Ao fazer isso, eu mudei alguns dos elementos para que se adequasse a mim.

 

Entrevistador: Quando você percebeu que o seu som único tinha sido concluído?
Bobby: Esse momento… ainda não chegou.

 

Entrevistador: Você teve que apelar para montar sua própria personalidade em ‘Show Me The Money 3’?
Bobby: Nesse show, eu me concentrei mais no meu desempenho, ao invés do tom ou do estilo, porque há muitos elementos que podem ser mostrados no palco. Uma coisa que realmente ajudou  foi o fato de que no período como trainee eu estudei muito os movimentos que se encaixam naturalmente em mim. Quando meus rappers favoritos se apresentam, eles movem seus corpos através do rap, realizando apresentações incríveis. Quero me tornar um rapper como eles  também.

 

Entrevistador: Pareceu que você estava muito consciente sobre o título de “ídolo rapper.” Se você tem o talento, não deveria importar se você é um idol.. Afinal, nem todos os rappers do underground são talentosos.
Bobby: Eu acho que eu estava consciente sobre isso, porque eu fui muito criticado sobre esse assunto.

 

Entrevistador: É provavelmente apenas a desculpa que eles têm para atacá-lo.
Bobby: É verdade, é verdade. (risos) Se eu errasse, eu seria eliminado porque “todos os rappers ídolos são assim. Eles não são nada de especial”.  Eu realmente odiava isso. Eu queria ser reconhecido como um rapper e queria provar isso pra mim mesmo.

 

Entrevistador: Considerando o grande peso e a pressão, foi incrível como você honradamente lidou com isso. Mas como você disse, o hip-hop é atraente devido à sua natureza simples e bruta. Mas o estereótipo dominante é que os “rappers idol” estão longe disso.
Bobby: Eu acho que mostrar o meu verdadeiro eu é hip-hop. Eu gosto de viver fazendo o que eu gosto e sentindo a pequena felicidade de cada momento, porque isso é hip-hop. Mas machucou muito a minha auto-estima o fato de que as pessoas iriam me ligar apenas ao título de “rapper idol”, mesmo sem considerar os meus reais talentos, só porque eu era um trainee da YG. Dói muito quando a sua auto-estima está ferida. (risos) Por outro lado, se eles realmente prestassem atenção, me ouvissem e não gostassem ainda assim, então a culpa é minha. Eu posso reconhecer isso. Eu tenho que descobrir os meus defeitos e corrigi-los. Eu sempre aceito críticas, desde que não seja um ataque.

 

Entrevistador: A liberdade para um rapper escrever livremente suas letras faz parte do hip-hop. O que você tem a dizer para aqueles que falam que você não será capaz de fazer isso por ser parte de uma empresa grande?
Bobby: Hum,  é uma tarefa que vai ter que ser trabalhada no futuro. Há coisas que eu quero expressar como rapper, mas já que eu estou sob a figura da YG, eu vou ter que pensar em como eu posso fazer isso com sabedoria.

 

Entrevistador: Em ‘Show Me The Money 3’, você mostrou uma imagem muito intensa e poderosa. Essa vibração foi mostrada efetivamente no local do espetáculo, mas para alguém que escuta através do álbum gravado, as emoções, a mensagem ou o impacto podem ser comprometidos. (Bobby fica em silêncio por um tempo.) Você está me ouvindo agora?
Bobby: Não, não. Eu estou te ouvindo. Apenas senti que é algo que eu realmente preciso escutar…

 

Entrevistador: Você me assustou, porque você ficou tão sério de repente. (risos) Você poderia ter feito isso de propósito, porque achou necessário… É por isso que eu perguntei. (n/t: ele quis dizer que Bobby poderia ter ficado em silêncio porque não queria responder a pergunta)
Bobby: Eu não fiz de propósito. Eu só acabei desse jeito, mesmo sem perceber.

 

Entrevistador: Parece que “aquela pessoa” chegou. (risos) (n/t: aquela pessoa se refere a um outro lado da personalidade de Bobby.)
Bobby: Eu acho que você está certo. Oh, eu deveria corrigir isso. (risos) Honestamente, a maioria das músicas que eu mostrei até agora têm sido bastante intensas.

 

Entrevistador: Existem muitas coisas ocultas que você não tenha mostrado ainda?
Bobby: Eu acho que sim. Eu tenho um monte de coisas que eu quero praticar, desenvolver e fazer.

 

Entrevistador: Você quer ser alguém que faz música, ou você quer ser uma estrela através da música?
Bobby: Eu quero ser alguém com influência. Eu quero inspirar e influenciar as pessoas, não apenas através da música, mas pela maneira que eu vivo. Que tipo de pessoa teria praticado por 4 anos, participado de  ‘WIN: Who is Next’, ganhado o ‘Show Me The Money 3’ e ainda ido para um terceiro show de sobrevivência em ‘Mix & Match’? Há apenas um jovem de 20 anos, nascido em 21 de dezembro, Kim Jiwon neste mundo. Só eu posso escrever as letras que saem das minhas próprias experiências.

 

Entrevistador: Sua própria vida é como uma letra de música.
Bobby: Exato, isso é hip-hop.

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Fonte: ygikon.tumblr.com

Trad JP-PT: Blue e Cal (iKON Brazil)

Equipe iKON Brazil

Não retire sem os devidos créditos

Post escrito por Calane